Versos Portuguese Machado de Assis Vi

Portuguese poem

Vi

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Abolada a cidade, quasi tanto Como nos dias da solemne festa Da grande acclamação, de que inda fallam Com saudade os muchachos de outro tempo. Varões agora do medida e peso, Todo o povo deixara as casas suas. Grato ensejo era aquelle! Resoluto A correr desta vez uma argolinha, O intrepido mancebo empunha a lança Dos combates, na fronte um capacete De longa, verde, fluctuante pluma, Escancha-se no dorso de um cavallo E armado vae para a festiva guerra. Ia a passo o corcel, como ia a passo Seu pensamento, certo da conquista, Se ella visse o brilhante cavalleiro Que, por amor daquelles bellos olhos, Derrotar promettia na estacada Um cento de rivaes. Subitamente Vê apontar a rispida figura Do rispido negreiro; a esposa o segue, E logo atraz a suspirada moça, Que lentamente e placida caminha Com os olhos no chão. Corpilho a veste De azul velludo; a manga arregaçada Ate á doce curva, o braço amostra Delicioso e nú. A indiana seda Que a linda mão de moça arregaçava, Com aquella sagaz indifferença Que o demo ensina ás mais singelas damas, A furto lhe mostrou, breve e apertado No sapatinho fino, o mais gracioso, O mais galante pé que inda ha nascido Nestas terras:--tacão alto e forrado De setim rubro lhe alteava o corpo, E airoso modo lhe imprimia ao passo.