Portuguese poem
Vai-Te
Por que voltaste? Esquecidos Meus sonhos, e meus amores Frios, pálidos morreram Em meu peito. Aquelas flores Da grinalda da ventura Tão de lágrimas regada, Nesta fronte apaixonada Cingida por tua mão, Secaram, mortas estão. Pobre pálida grinalda! Faltou-lhe um orvalho eterno De teu belo coração. Foi de curta duração Teu amor: não compreendeste Quanto amor esta alma tinha... Vai, leviana andorinha, A outro clima, outro céu: Meu coração? Já morreu Para ti e teus amores, E não pode amar-te — vai! O hino das minhas dores Dir-to-á a brisa, à noite, Num terno, saudoso — ai — Vai-te — e possa a asa do vento Que pelas selvas murmura, Da grinalda da ventura Que em mim outrora cingiste, Inda um perfume levar-te, Morta assim: como um remorso Do teu olvido... eu amar-te? Não, não posso; esquece, parte; Eu não posso amar-te... vai!