Portuguese poem
V
Um dia,--era sobre tarde, Ia-se o sol a afundar; Calumby cerrava as folhas Para melhor as guardar.
Vem cavaleiro de longe E á porta vai apear. Traz o rosto carregado, Como a noite sem luar.
Chega-se á pobre da moça E assim começa a falar: «--Guaycurú dói-lhe no peito Tristeza de envergonhar.
Esposo que te ha fugido Hoje se vae a casar; Noiva não é de alto sangue, Porém de sangue vulgar.»
Ergue-se a moça de um pulo, Arrebatada, e no olhar Rebenta-lhe uma faisca Como de luz a expirar.
Menino escravo que tinha Acerta de ali passar; Niani attentando nelle Chama-o para o seu logar.
«--Cativo és tu; serás livre, Mas vaes o nome trocar; Nome avesso te pozeram... Panenioxe has de ficar.»
Pela face cobreada Desce, desce com vagar Uma lagrima: era a ultima Que lhe restava chorar.
Longo tempo alli ficára, Sem se mover nem fallar; Os que a veem naquella magoa Nem ousam de a consolar.
Depois um longo suspiro, E ia a moça a expirar... O sol de todo morria E ennegrecia-se o ar.
Pintam-n'a de vivas cores, E lhe lançam um collar; Em fina esteira de junco Logo a vão amortalhar.
O triste pae suspirando Nos braços a vae tomar, Deita-a sobre o seu cavallo E a leva para enterrar.
Na terra em que dorme agora Justo lhe era descançar, Que pagou foro da vida Com muito e muito penar.
Que assim se morre de amores Aonde habita o jaguar, Como as princesas morriam Pelas terras de além-mar.