Portuguese poem
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Era chegado O fatal prazo, o desenlace triste. Tudo morre,--a tristeza como o gozo; Rosas de amor ou lyrios de saudade, Tarde ou cedo os esfolha a mão do tempo. Costeando as longas praias, ou transpondo Extensos valles e montanhas, correm Mensageiros que ás tabas mais vizinhas Vão convidar á festa as gentes todas. Era a festa da morte. Indio guerreiro, Trez luas ha captivo, o instante aguarda Em que ás mãos de inimigos vencedores, Cáia expirante, e os vinculos rompendo Da vida, a alma remonte além dos Andes. Corre de boca em boca e de eco em eco A alegre nova. Vem descendo os montes, Ou abicando ás povoadas praias Gente da raça illustre. A onda immensa Pelo arraial se estende pressurosa. De quantas côres natureza fertil Tinge as proprias feições, copiam elles Engraçadas, vistosas louçanias. Vários na edade são, varios no aspecto, Todos iguais e irmãos no herdado brio. Dado o amplexo de amigo, acompanhado De suspiros e pesames sinceros Pelas fadigas da viagem longa, Rompem ruidosas danças. Ao tamoyo Deu o Ibake os segredos da poesia; Cantos festivos, moduladas vozes, Enchem os ares, celebrando a festa Do sacrificio proximo. Ah! não cubra Véu de nojo ou tristeza o rosto aos filhos Destes polidos tempos! Rudes eram Aquelles homens de asperos costumes, Que ante o sangue de irmãos folgavam livres, E nós, soberbos filhos de outra edade, Que a voz fallamos da razão severa E na luz nos banhamos do Calvario, Que somos nós mais que elles? Raça triste De Cains, raça eterna...