Versos Portuguese Machado de Assis X

Portuguese poem

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Ó mocidade, ó baluarte vivo Da cara patria! Já perdida é ella, Quando em teu peito enthusiasmo santo E puro amor se extingue, e áquelle nobre, Generoso despejo e ardor antigo Succede o frio calcular, e o torpe Egoismo, e quanto ha hi no humano peito, Que é fructo nosso e podre... Muitos caem Mortos alli. Que importa? Vão seguindo Avante os bravos, que a invasão caminha Implacavel e dura, como a morte, A pelejar e a destruir. Tingidas Ruas de extranho sangue E sangue nosso, lacerados membros, Corpos de que ha fugido a alma cançada, E o denso fumo e os funebres lamentos, Quem nessa confusão, miseria e gloria Conhecerá da juvenil cidade O aspecto, a vida? Aqui da infancia os dias Nuno vivêra, á vecejante sombra Do seu patrio arvoredo, ao som das vagas Que inda batendo vão na amada areia; Risos, jogos da verde meninice, Esta praia lhe lembra, aquella pedra, A mangueira do campo, a tosca cerca De espinheiro e de flôres enlaçadas, A ave que voa, a brisa que suspira, Que suspira como elle ha suspirado, Quando rompendo o coração do peito Ia-lhe empós dessa visão divina, Realidade agora... E ha de perdel-as Patria e noiva? Esta ideia lhe esvoaça Torva e surda no cerebro do moço, E ao contrahido espirito redobra Impeto e forças. Rompe Por entre a multidão dos seus, e investe Contra o duro inimigo; as balas voam, E com ellas a morte, que não sabe Dos escolhidos seus a terra e o sangue, E indistinctos os toma; elle, no meio Daquelle horrivel turbilhão, parece Que a faisca do genio o leva e anima, Que a fortuna o votára á gloria.