Versos Portuguese Machado de Assis Xv

Portuguese poem

Xv

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Doce era a voz e triste. Rasos d'agua Os olhos. Foi desmaio de tristeza Que o gesto dissipou da esquiva moça. Volve ao Tamoyo vingativa ideia. --«Minha (diz elle) ou morres!» Estremece Potyra, como quando a brisa passa Ao de leve na folha da palmeira, E logo fria ao barbaro responde: --«Jaz esquecido em nossas velhas tabas O respeito da esposa? Acaso é digna Do sangue do Tamoyo esta ameaça? Que desvalia aos olhos teus me coube, Se a outro me ligaram natureza, Religião, destino? A liberdade Nas tuas mãos depuz; com ella a vida. É tudo, quasi tudo. Honra de esposa, Oh! essa deves respeital-a! Vai-te! Ceva teu odio nas sangrentas carnes Do prostrado captivo. Aqui chorando, Na solidão d'estes bosques mal fechados, As maviosas brisas meus suspiros Entregarei; leval-os-hão nas azas La onde geme solitario o esposo. Vai-te!» E as mimosas mãos colhendo ao rosto, Alçou a Deus o pensamento amante, Como a centelha viva que a fogueira Extincta aos ares sobe. Immovel, muda, Longo tempo ficou. Diante d'ella, Como ella immovel, o tamoyo estava. Amor, odio, ciume, orgulho, pena, Oppostos sentimentos se combatem No attribulado peito. Generoso Era, mas não domado amor lhe dava Inspiração de crimes. Não mais prompto Cae sobre a triste corça fugitiva Jaguar de longa fome esporeado, Do que elle as mãos lançou ao colo e á fronte Da misera Potyra. Ai! não, não diga A minha voz o lamentoso instante Em que ella, ao seu algoz volvendo anciosa Turvos olhos: «Perdoo-te!» murmura, Os labios cerra e immaculada expira!