Versos Portuguese Manuel Botelho de Oliveira Anarda temerosa de um raio

Portuguese poem

Anarda temerosa de um raio

by (1636–1711)

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Bramando o Céu, o Céu resplandecendo, Belo a um tempo se via, e rigoroso, Em fugitivo ardor o Céu lustroso, Em condensada voz o Céu tremendo.

Gira de um raio o golpe, não sofrendo O capricho de ũa árvore frondoso: Que contra o brio de um subir glorioso Nunca falta de um raio o golpe horrendo.

Anarda vendo o raio desabrido, Por altiva temeu seu golpe errante, Mas logo o desengano foi sabido.

Não temas (disse eu logo) o fulminante: Que nunca ofende o raio ao Céu luzido, Que nunca teme ao raio o Sol brilhante.