Portuguese poem
Criou Deus na celeste Arquitetura
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
Criou Deus na celeste Arquitetura Dois luzeiros com giro cuidadoso, Um que presida ao dia luminoso, Outro que presidisse à noite escura.
Dois luzeiros também de igual ventura Criou na terra o Artífice piedoso; Um, que foi da Escritura Sol famoso, Outro, Planeta da ignorância impura.
Brilhando juntos um e outro luzeiro, Com sábia discrição, siso profundo, Não podia um viver sem companheiro.
Sucedeu justamente neste Mundo, Que fenecendo aquele por primeiro, Este também feneça por segundo.