Portuguese poem
Não podendo ver a Anarda pelo estorvo de ũa planta
by Manuel Botelho de Oliveira (1636–1711)
Essa árvore, que em duro sentimento, Quando não posso ver teu rosto amado, Opõe grilhões amenos ao cuidado, Verdes embargos forma ao pensamento;
Parece que em soberbo valimento, Como a vara do próprio, que há logrado, Dando essa glória a seu frondoso estado, Nega essa glória a meu gentil tormento.
Porém para favor dos meus sentidos Essas folhas castiguem rigorosas, Os teus olhos, Anarda, os meus gemidos.
Pois caiam, sequem pois folhas ditosas, Já de meus ais aos ventos repetidos, Já de teus sóis às chamas luminosas.