Versos Portuguese Manuel Botelho de Oliveira Que há de ser o amor um só

Portuguese poem

Que há de ser o amor um só

by (1636–1711)

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Uma alma do abrasador Frecheiro é gloriosa palma; Quem pois sacrifica ũa alma, Deve adorar um Amor.

Rende Amor por majestade Do entender a excelência, Da memória a persistência, A inclinação da vontade.

Prendem belas sujeições O coração nos ardores; Quem pois cria dois amores, Há mister dois corações.

Inconstante há de lograr Dois fogos, por mais que anele: Pois quando cuida naquele, Neste já deixa de amar.

Inteiro amante não é, Que no florido primor, Partida a flor, não é flor, Partida a fé, não é fé.

Amor é Sol no sujeito Que belos incêndios cria; E se brilha um Sol no dia, Um amor brilhe no peito.

Veneno amor é julgado; Mate pois, quando o condeno, Se um veneno, outro veneno, Um cuidado, outro cuidado.

Há de ser no coração Um, ou outro emprego belo, Agrado sim, não desvelo, Faísca sim, chama não.

Venero enfim, se avalio Entre muitos um desejo, Muitas damas no cortejo, Ũa Anarda no alvedrio.