Portuguese poem
A Rainha de Sabá
by Olavo Bilac (1865–1918)
"O rei Salomão deu à rainha de Sabá o que ela lhe desejou, e lhe pediu, afora os presentes que ele mesmo lhe deu com liberalidade real. A rainha voltou, e se foi para o seu reino com os seus servos." (REIS, L. III, cap. X, 13.)
"Que mais queres? Sião? e, entre os bosques sombrios, O meu colar de cem cidades deslumbrantes? O Líbano, pompeando em paços, em mirantes, Em cedros, em pavões, em corças, em bugios?
O povo de Israel, em tribos formigantes Do Eufrates ao mar Morto e o Egito? Os meus navios, As esquadras de Hirão, coalhando o oceano e os rios, Atestadas de prata e dentes de elefantes?
O meu leito, ainda olente e morno do teu sono? O cetro? O gineceu, e a guarda, e as mil mulheres Como escravas, rojando aos teus pés? O meu trono?
Os vasos do holocausto? O templo de ouro e jade? A ara, em sangue e fulgor, ante Jeová?... Que queres?"
- "O teu último beijo... o deserto... e a saudade..."