Portuguese poem
A Sesta de Nero
by Olavo Bilac (1865–1918)
Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso, O palácio imperial de pórfiro luzente E mármor da Lacônia. O teto caprichoso Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente.
Nero no toro ebúrneo estende-se indolente... Gemas em profusão do estrágulo custoso De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente, Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso.
Formosa ancila canta. A aurilavrada lira Em suas mãos soluça. Os ares perfumando, Arde a mirra da Arábia em recendente pira.
Formas quebram, dançando, escravas em coréia. E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando Nos alvos seios nus da lúbrica Pompéia.