Portuguese poem
A Ronda Noturna
by Olavo Bilac (1865–1918)
Noite cerrada, tormentosa, escura, Lá fora. Dorme em trevas o convento. Queda imoto o arvoredo. Não fulgura Uma estrela no torvo firmamento.
Dentro é tudo mudez. Flébil murmura, De espaço a espaço, entanto, a voz do vento: E há um rasgar de sudários pela altura, Passo de espectros pelo pavimento...
Mas, de súbito, os gonzos das pesadas Portas rangem... Ecoa surdamente Leve rumor de vozes abafadas.
E, ao clarão de uma lâmpada tremente, Do claustro sob as tácitas arcadas Passa a ronda noturna, lentamente...