Portuguese poem
Dante no Paraíso
by Olavo Bilac (1865–1918)
... Enfim, transpondo o Inferno e o Purgatório, Dante Chegara à extrema luz, pela mão de Beatriz: Triste no sumo bem, triste no excelso instante, O poeta compreendera o mal de ser feliz.
Saudoso, ao ígneo horror do báratro distante, Ao vórtice tartáreo o olhar volvendo, quis Regressar à geena, onde a turba ululante Nos torvelins raivando arde na chama ultriz:
E fatigou-o a paz do esplendor soberano; Dos réprobos lembrando a irrevogável sorte, A estância abominou do perpétuo prazer;
Porque no coração, cheio de amor humano, Sentiu que toda a Vida, até depois da morte, Só tem uma razão e um gozo só: sofrer!