Portuguese poem
Pecador
by Olavo Bilac (1865–1918)
Este é o altivo pecador sereno, Que os soluços afoga na garganta, E, calmamente, o copo de veneno Aos lábios frios sem tremer levanta.
Tonto, no escuro pantanal terreno Rolou. E, ao cabo de torpeza tanta, Nem assim, miserável e pequeno, Com tão grandes remorsos se quebranta.
Fecha a vergonha e as lágrimas consigo... E, o coração mordendo impenitente, E, o coração rasgando castigado,
Aceita a enormidade do castigo, Com a mesma face com que antigamente Aceitava a delícia do pecado.