Portuguese poem
Pesadelo
by Olavo Bilac (1865–1918)
Às vezes, uma vida abominanda Vives no sono, em que a hórrida matula Dos íncubos e súcubos te manda O eco do inferno que referve e ulula.
Um mundo torpe nos teus sonhos anda: O ódio, a perversidade, a inveja, a gula, Espíritos da terra, sarabanda Das grosseiras paixões que a treva açula.
Assim, à noite, no ínvio da floresta, No mistério das sombras, entre os pios Dos noitibós, o candomblé se apresta:
Batuques de capetas, rodopios De curupiras e sacis em festa, Em sinistros risinhos e assobios.