Portuguese poem
Pomba e Chacal
by Olavo Bilac (1865–1918)
Ó Natureza! ó mãe piedosa e pura! Ó cruel, implacável assassina! - Mão, que o veneno e o bálsamo propina E aos sorrisos as lágrimas mistura!
Pois o berço, onde a boca pequenina Abre o infante a sorrir, é a miniatura A vaga imagem de uma sepultura, O gérmen vivo de uma atroz ruína?!
Sempre o contraste! Pássaros cantando Sobre túmulos... flores sobre a face De ascosas águas pútridas boiando...
Anda a tristeza ao lado da alegria... E esse teu seio, de onde a noite nasce, É o mesmo seio de onde nasce o dia...