Portuguese poem
Plutão
by Olavo Bilac (1865–1918)
Negro, com os olhos em brasa, Bom, fiel e brincalhão, Era a alegria da casa O corajoso Plutão.
Fortíssimo, ágil no salto, Era o terror dos caminhos, E duas vezes mais alto Do que seu dono Carlinhos.
Jamais à casa chegara Nem a sombra de um ladrão; Pois fazia medo a cara Do destemido Plutão.
Dormia durante o dia, Mas, quando a noite chegava, Junto à porta se estendia, Montando guarda ficava.
Porém Carlinhos, rolando Com ele às tontas no chão, Nunca saía chorando Mordido pelo Plutão...
Plutão velava-lhe o sono, Seguia-o quando acordado O seu pequenino dono Era todo o seu cuidado.
Um dia caiu doente Carlinhos... Junto ao colchão Vivia constantemente Triste e abatido, o Plutão.
Vieram muitos doutores, Em vão. Toda a casa aflita, Era uma casa de dores, Era uma casa maldita.
Morreu Carlinhos... A um canto, Gania e ladrava o cão; E tinha os olhos em pranto, Como um homem, o Plutão.
Depois, seguiu o menino, Segui-o calado e sério; Quis ter o mesmo destino: Não saiu do cemitério.
Foram um dia à procura Dele. E, esticado no chão, Junto de uma sepultura, Acharam morto o Plutão.