Portuguese poem
Primavera
by Olavo Bilac (1865–1918)
Ah! quem nos dera que isto, como outrora, Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera Que inda juntos pudéssemos agora Ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora. E, no chão, sobre os troncos cheios de hera, Sentavas-te sorrindo, de hora em hora: "Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia, E aos meus beijos de fogo palpitava, Alquebrado de amor e de cansaço. .
A alma da terra gorjeava e ria... Nascia a primavera... E eu te levava, Primavera de carne, pelo braço!