Versos Portuguese Olavo Bilac Rei Destronado

Portuguese poem

Rei Destronado

by (1865–1918)

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O teu lugar vazão!... E esteve cheio, Cheio de mocidade e de ternura! Como brilhava a tua formosura! Que luz divina te doirava o seio!

Quando a camisa tépida despias, - Sob o reflexo do cabelo louro, De pé, na alcova, ardias e fulgias Como um ídolo de ouro.

Que fundo o fogo do primeiro beijo, Que eu te arrancava ao lábio recendente! Morria o meu desejo... outro desejo Nascia mais ardente.

Domada a febre, lânguida, em meus braços Dormias, sobre os linhos revolvidos, Inda cheios dos últimos gemidos, Inda quentes dos últimos abraços...

Tudo quanto eu pedira e ambicionara, Tudo meus dedos e meus olhos calmos Gozavam satisfeitos nos seis palmos De tua carne saborosa e clara:

Reino perdido! glória dissipada Tão loucamente! A alcova está deserta, Mas inda com o teu cheiro perfumada, Do teu fulgor coberta...