Portuguese poem
Quarenta Anos
by Olavo Bilac (1865–1918)
Sim! como um dia de verão, de acesa Luz, de acesos e cálidos fulgores, Como os sorrisos da estação das flores, Foi passando também tua beleza.
Hoje, das garras da descrença presa, Perdes as ilusões. Vão-se-te as cores Da face. E entram-te n'alma os dissabores, Nublam-te o olhar as sombras da tristeza.
Expira a primavera. O sol fulgura Com o brilho extremo... E aí vêm as noites frias, Aí vem o inverno da velhice escura...
Ah! pudesse eu fazer, novo Ezequias, Que o sol poente dessa formosura Volvesse à aurora dos primeiros dias!