Portuguese poem
Remorso
by Olavo Bilac (1865–1918)
Às vezes, uma dor me desespera... Nestas ânsias e dúvidas em que ando, Cismo e padeço, neste outono, quando Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando, Sem os gozar numa explosão sincera... Ah! mais cem vidas! com que ardor quisera Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que esperdicei na juventude; Choro, neste começo de velhice, Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice, Por timidez o que sofrer não pude, E por pudor os versos que não disse!