Versos Portuguese Olavo Bilac Rio Abaixo

Portuguese poem

Rio Abaixo

by (1865–1918)

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Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga... Quase noite. Ao sabor do curso lento Da água, que as margens em redor alaga, Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo há pouco, de púrpura, sangrento, Desmaia agora o ocaso. A noite apaga A derradeira luz do firmamento. Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo Se espalha. Mas a lua lentamente Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo pálido, embebido Como um gládio de prata na corrente, Rasga o seio do rio adormecido.