Portuguese poem
Prece
by Olavo Bilac (1865–1918)
Durma, de tuas mãos nas palmas sacrossantas, O meu remorso. Velho e pobre, como Jó, Perdendo-te, a melhor de tantas posses, tantas, Malsinado de Deus, perdi... Tu foste a só!
Ao céu, por teu perdão, a minha alma, que encantas, Suba, como por uma escada de Jacó. Perdi-te... E eras a graça, alta entre as altas santas, A sombra, a força, o aroma, a luz... Tu foste a só!
Tu foste a só!... Não valho a poeira que levantas, Quando passas. Não valho a esmola do teu dó! - Mas deixa-me chorar, beijando as tuas plantas,
Mas deixa-me clamar, humilhado no pó: Tu, que em misericórdia as Madonas suplantas, Acolhe a contrição do mau... Tu foste a só!