Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Feliz De Amor!

Portuguese poem

Feliz De Amor!

by (1828–1912)

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Não sabes que ao ver-te triste, E pensativa a meu lado, O rosto na mão firmado. E os olhos postos no chão, Calado, ancioso, anhelante, Quero ler no teu semblante A causa da dôr constante Que te opprime o coração?

Pois não basta o meu amor Para te dar a ventura? Responde: quando a luz pura Do sol vem beijar a flor, Não lhe accende mais a côr? Não lhe dá mais formosura?

Agora, quando se inflamma Em teu peito aquella chamma, Á qual tudo se illumina De viva, encantada luz, Dize: é quando, minha vida, Pallida, triste, abatida, A tua fronte se inclina, E melancolica sombra, De mal contida amargura Nos teus olhos se traduz?!

Certeza de que és amada Com quanto poder na terra Em peito de homem se encerra, Tem-la em tua alma gravada! Então de fundo desgosto Porque vem nuvem pesada Carregar teu bello rosto?

Pois se ao vívido calor Do sol a rosa fulgura E redobra aroma e côr, Não te ha de dar a ventura A chamma do meu amor?!

Maio de 1859.