Portuguese poem
I
by Raimundo António de Bulhão Pato (1828–1912)
É na hora, em que a voz bella e sentida Do meigo rouxinol, entre a folhagem Das balsas escondido, solta ao vento A saudosa canção do fim do dia: Hora solemne e grata em que os amantes Renovam mil protestos de ternura, De constancia e d'amor; em que o susurro Da fresca viração vai confundir-se Co'o murmurar da trepida corrente. De cristalino orvalho borrifadas, As vicejantes flores da campina Mais vivo aroma espargem no ambiente. Accendem-se no ceo milhões de estrellas, É mais escuro o azul á flor das vagas, E a verdura do bosque é mais sombria. Entre as trevas e a luz, o firmamento Jaz velado por languido crepusculo, Que rapido se esvai nos frouxos raios Da lua, despontando no horisonte.