Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Ii

Portuguese poem

Ii

by (1828–1912)

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Mas não é para ouvir os doces carmes Do amoroso cantor, que Parisina Do palacio feudal ao parque desce; Nem para contemplar a luz brilhante Das tremulas estrellas, que divaga Por entre as sombras que diffunde a noite. Se procura um desvio na espessura, Não é para aspirar o vivo aroma Das matisadas flores; e se escuta, Não é de certo para ouvir das aguas O brando murmurar. Sons mais queridos Espera o seu ouvido nesse instante. Rangendo as folhas seccas denunciam Que se aproxima alguem: empallidece De susto e de prazer ao mesmo tempo. D'entre as ramas que a brisa doidejante De espaço a espaço agita, mansamente Parte emfim uma voz: é voz amiga; De subito o rubor lhe volta ás faces, E mais livre, porém não menos forte, Bate-lhe o coração no peito agora. Mais um momento só é já passado, Aos pés da bella jaz o cego amante.