Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Iv

Portuguese poem

Iv

by (1828–1912)

Listen in the reader

Vão partir: vão deixar com passos lentos O encantado logar que presenceára O seu transporte em delirante crime. Vão partir: e apesar dos mil protestos, Da esperança que em breve hão de juntar-se, Dor profunda no peito lhes comprime Agora o coração, como se fosse Aquella a derradeira despedida. Parisina, cravando os olhos languidos No firmamento azul, treme, sentindo Que aquelle ceo não pode perdoar-lhe. Elle outra vez a cinge contra o peito; Um suspiro, um adeus, inda outro beijo, É forçoso partir, levando n'alma Os amargos, crueis presentimentos, Que de perto acompanham sempre o crime.