Versos Portuguese Raimundo António de Bulhão Pato Um Brinde

Portuguese poem

Um Brinde

by (1828–1912)

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(Improviso)

Amigos, á formosura Que nos cerca neste instante, Erga-se a taça escumante De purpurino licor. Vivo enthusiasmo rebente Agora de nossas almas, Caiam palmas sobre palmas Cada vez com mais ardor!

Aqui floresce na horta A viçosa laranjeira, Corre o Champanhe e o Madeira Que offertara nivea mão, Aqui não chegam as garras De tanta velha leôa Que esfaimada por Lisboa Se atira a tanto leão.

Aqui livre em nosso peitos Pula impaciente alegria, Porque ao sol de um bello dia Tudo vemos reflorir! Que importa pois que os ministros Resonem no parlamento, E que os homens de São Bento Nem sequer nos façam rir?

Para nós sorri-se o mundo, Para nós a vida é esta, Hoje festa, amanhã festa, Gloria, encantos, illusões! Junto a nós temos as bellas Mais fragrantes do que as rosas, Longe... o mundo das preciosas, E o mundo dos papellões!

Eia pois! á formosura Que me cerca neste instante Erga-se a taça escumante De purpurino licor. Vivo enthusiasmo rebente Agora de nossas almas, Caiam palmas sobre palmas Cada vez com mais ardor!

Abril de 1859.