Portuguese poem
Temo, Lídia, o destino. Nada é certo
by Ricardo Reis (1888–1935)
Temo, Lídia, o destino. Nada é certo. Em qualquer hora pode suceder-nos O que nos tudo mude. Fora do conhecido é estranho o passo Que próprio damos. Graves numes guardam As lindas do que é uso. Não somos deuses: cegos, receemos, E a parca dada vida anteponhamos À novidade, abismo.