Portuguese poem
Pois a vida presente está perdida
by Tomás Pinto Brandão (1664–1743)
Pois a vida presente está perdida, Formemos a futura da passada: A pertenção acabe, bem fundada, Sobre aquela medalha mal fundida.
Eu que estava tão bem na minha vida, Passando-a muito alegre com meu nada, Quem me meteu a andar com papelada Que não é lida nunca e sempre é lida?
Mas que fazes, Tomás? tem paciência E consola-te aqui com tanto sócio Mais antigos que tu na impertinência.
Aguarda um pouco mais, suspende o ócio, Porque hábito melhor, por consequência, Terás na conclusão deste negócio.