Portuguese poem
Vi
by Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett
Soa a nova no castello, Vai correndo em derredor, De que porfim fôra ouvido Aquelle anjo soffredor Soltar queixoso gemido, Piedade emfim suppllicar. Só a Auzenda, que expirando No leito da morte jaz, Para que morresse em paz Vão a noticia occultando. Mas soube tudo Sisnando, E no duro coração Ja vacilla a crueldade, Ja vislumbra a compaixão: Dos seccos olhos covados, Que inspiravam medo e espanto, Como que da mão tocados D’algum anjo punidor, Salta repentino o pranto, Qual onda que estalla em flor Sôbre o penedo ourissado. Todo em lagrymas sanguineas O infeliz debulhado, Para aquella infausta tôrre Com incerto passo corre Em altos gritos bradando: —‘Agua! trazei agua, vinde, Accudi á desgraçada, A uma filha malfadada Que por mãos de seu pae morre!’
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