Versos Portuguese Visconde de Almeida Garrett João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett Viii

Portuguese poem

Viii

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Agreste, não feio é o sitio, Medonho, horrivel de ver; Porêm tem a natureza Horrores que são belleza, Tristezas que dão prazer, Mão d’arte alli não chegou; A virginal aspereza Ficou em toda a rudeza Que a creação lhe deixou. De um lado, choupos anciãos Seus ramos lobregos pendem, E o vivo seixo fendem Crespas raizes nodosas Das sovereiras annosas Que as cortiças remendadas Têem dos estios lascadas A pedaços a cahir. —Do outro, altivos rochedos, Como do ceo pendurados, Diffundem pallidos medos Que em funda gruta acoitados De espectros a povoaram. —Di-lo toda a vizinhança, Que ou são sombras de finados, Ou de negras bruxas más Alli ha nocturna dança. —Redobra ao sítio o pavor Um jôrro alto que despenha Saltando de penha em penha, E os echos em deredor Vai temeroso acordando. Este unico som d’horror Á callada solidão Da mudez quebra o condão. —Sisnando, o ardido Sisnando, O do forte coração, Sentiu soçobrar-lhe o ânimo: Uma voz dentro do peito Lhe diz que não passe ávante; Mas outra voz mais possante, Outra voz que é voz do fado, Voz que ao mortal desgraçado Não deixa fôrça ou razão, Lhe brada: Persiste, segue... —Ai do que a ella se intregue, Que se intrega á perdição!

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