Portuguese poem
Os Luziadas
by Xavier de Carvalho (1862–1919)
(a Queiroz Velloso)
Epopeia de luz! os seus versos vermelhos Como agudos punhaes, rubros ao sol da gloria, São as Taboas da Lei, os nossos Evangelhos E o poema triumphal de toda a nossa historia.
Por isso hão-de passar as eras sobre as eras, Os seculos sem fim num desfillar escuro E esse livro será a luz das primaveras, Que nos indicará as praias do futuro.
E num aureo fulgor de chispas diamantinas, Centos d'annos depois ainda essa epopeia Em nós acordará a mais vibrante ideia.
E se o povo cahir exhausto entre ruinas, Ó Luziadas! ó Bíblia aberta par em par, Os nossos corações farás resuscitar.