Portuguese poem
O Jau
by Xavier de Carvalho (1862–1919)
(a Xavier Pinheiro)
Emquanto o povo, em bando, escalavrado e roto, Cantava pela rua os psalmos da Agonia E a nação moribunda era um profundo esgoto, E a Historia se tornou em trecho d'elegia,
A patria cruelmente arruinada e exangue, Sem familia, sem lar, sem amigos, sem pão, No horisonte sómente a lama, o luto e o sangue, Em toda a parte a raiva e a desesperação;
O luminoso poeta, a alma aventureira, Que atravessou cantando uma existencia inteira, A luctar pelo bem e a destruir o mau:
Achou na hora final, em vez de coroa etherea, Num leito de hospital a enxerga da miseria E por unico amigo um pobre negro:--o Jau.