Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro Ii

Portuguese poem

Ii

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Um dia o pae, um bravo aldeão, Chamou-o ao pé de si, e disse-lhe:

«João:

Á força de trabalho e a força de canceiras A moirejar no monte e a levar gado ás feiras, Consegui ajuntar ao canto do bahù Alguns pintos. Vocês são dois rapazes; tu, Além de ser mais novo, és mais intelligente. Vou botarte ao latim; quero fazer-te agente. Hasde-me dar ainda um grande prégador. Hoje padre é melhor talvez que ser doutor. Aquillo è grande vida; é vida regalada. Olha, sabes que mais? manda ao diabo a enxada. Aquillo é que é vidinha! aquillo é que é descanço! Arrecada-se a congrua, engrola-se o ripanço, Arranja-se um sermão ahi com quatro tretas, Vai-se escorropichando o vinho das galhetas,

E a missa seis vintens e doze os baptisados. Depois independente e sem nenhuns cuidados! Olha, João, vê tu o nosso padre cura: É, sem tirar nem pôr, uma cavalgadura. Vi-o chegar aqui mais roto que os ciganos; Pois tem feito um casão em meia duzia d'annos. Isto é desenganar; padres sabem-na toda... É o sermão, é a missa, é o enterro, é a boda, É pinga da melhor, é tudo quando ha! Quando o abade morrer hasde vir tu p'ra cá. Despacha-te o doutor nas côrtes; quando não Votamos contra elle, e foi-se-lhe a eleição. Mas que é isso, rapaz? Nada de choradeira! É tratar da merenda, e quinta ou sexta-feira Toca pr'o seminario. Eu quero ir para a cova Só depois de ti ouvir cantar a missa nova.»