Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro Iii

Portuguese poem

Iii

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Mas n'isto despontou a esplendida manhã D'um mundo juvenil, robusto, afrodisiaco: A Renascença foi para a embriaguez christã A excitação vital d'um frasco de amoniaco.

E na vinha de Deus ainda florescente Começou a nascer por essa occasião Um bicho que enterrava escandalosamente Nos pampanos da crença as unhas da razão.

Propagou-se o flagello; o mal recrudesceu; A colheita ficou em duas terças partes; Chega o oidium Lutero, o verme Galileu, E cai-lhe o temporal de Newton e Descartes.

Em balde Carlos nove, Ignacio e Torquemada, Catando esses pulgões das bíblicas videiras, Os entregam á roda, ao cadafalso, á espada, Ou os queimam por junto aos centos nas fogueiras.

O estrago cada vez era maior, mais forte; Apezar da realeza, o throno e a sachristia Andarem sacudindo o enxofrador da morte No formigueiro vil das pragas da heresia.

Por ultimo Voltaire--filoxera invade Essa encosta plantada outr'ora por Jesus, E das cepas ideaes da escura meia idade Ficaram simplesmente uns velhos troncos nús.