Versos Portuguese Abílio Manuel Guerra Junqueiro Scena Xviii

Portuguese poem

Scena Xviii

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O ESPECTRO DE D. MARIA I, louca, furiosa, delirando:

Meu pai!... meu pai!... meu pai!... meu pai!... Castigo eterno, chamas do inferno!... Meu pai!... meu pai!... Olha os diabos... olha os diabos... Coriscos os cornos, serpentes os rabos!... Ui! o marquês!... ui! o marquês!... Num caldeirão em brasa, a derreter em chumbo, a ferver em pez! Vão-me coser! já estou a arder! já estou a arder!... Kyrie Eleyson! Kyrie Eleyson! Kyrie Eleyson! Miserere nobis! ora pro nobis! Jesus! Jesus! Jesus! Jesus! Levem a purga!... levem a seringa!... não me quero purgar! Não me quero purgar... não tenho ventre... sou feita de ar... D. Rosa! D. Rosa! ó D. Rosa!!... Acode depressa! anda depressa, que me deitam ao mar!...

Desaparece.

O DOIDO, na escuridão:

Satanás, zombando, fez um rei de espadas, Fez um rei de espadas com um cão tinhoso; Com o cão tinhoso fez um sapo coxo; Com o sapo coxo fez um porco bravo; Com o porco bravo fez um bode d'oiro; Com o bode d'oiro fez um corvo negro; Com o corvo negro uma galinha doida... Ko-ko-ro-có! Ka-ka-ra-cá?!... A galinha doida que é que parirá?!...