Versos Portuguese Acúrcio Correia da Silva Tardes

Portuguese poem

Tardes

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Olhai que tardes estas! Tardes de outôno, tardes de agonía... Começa o novo sôno das florestas... Deixái dormir os robles e as giestas, Que acordarão um dia.

Lá deslísa o Mondego a murmurar As doces melopeias do passado, (Que hoje só êle as pode relembrar...) --Lendas de antigas moiras a cantar Idílios de outras eras, ao luar Ou á radiosa luz do sol doirado... Lá deslísa o Mondego a murmurar... Só podem perceber-lhe as melopeias As hervinhas rasteiras e as areias...

Olhái os desgrenhados salgueiráis, Curvados a cismar por sobre as aguas... Parecem trovadôres medieváis, Chorando em velhas rimas novas maguas...

Nas cordilheiras pardas e distantes Adensam-se uns vapôres transparentes, Doirádos, luminosos, flutuantes, Sobre as carquêjas ásperas, dormentes...

Na poeira luminosa do sol-pôr Agacham-se quietinhas, silenciosas, Dormindo num beatífico torpôr, A casaría, as arvores, as rosas...

Ha uma indescritivel atonía Nas vagas tintas que o sol-pôr produz, --Como um grande soluço de agonía, Que lentamente se tornasse em luz...

Andam no ar acentos vagabundos De fados lacrimosos, Como endeixas de poetas moribundos, Ao luar, pelos êrmos lutuosos...

Olhai que tardes estas... Tardes de outôno, tardes de agonía... Vái dormir o carvalho das florestas Para acordar um dia...