Versos Portuguese Alberto Caeiro Sim, talvez tenha razão

Portuguese poem

Sim, talvez tenha razão

by (1888–1935)

Listen in the reader

Sim, talvez tenham razão. Talvez em cada coisa uma coisa oculta more, Mas essa coisa oculta é a mesma Que a coisa sem ser oculta.

Na planta, na árvore, na flor (Em tudo que vive sem fala E é uma consciência e não o com que se faz uma consciência), No bosque que não é árvores mas bosque, Total das árvores sem soma, Mora uma ninfa, a vida exterior por dentro Que lhes dá a vida; Que floresce com o florescer deles E é verde no seu verdor.

No animal e no homem entra. Vive por fora por dentro É um já dentro por fora, Dizem os filósofos que isto é a alma Mas não é a alma: é o próprio animal ou homem Da maneira como existe.

E penso que talvez haja entes Em que as duas coisas coincidam E tenham o mesmo tamanho.

E que estes entes serão os deuses, Que existem porque assim é que completamente se existe, Que não morrem porque são iguais a si mesmos, Que podem mentir porque não têm divisão [?] Entre quem são e quem são, E talvez não nos amem, nem nos queiram, nem nos apareçam Porque o que é perfeito não precisa de nada.