Portuguese poem
Só a natureza é divina
by Alberto Caeiro (1888–1935)
Só a natureza é divina, e ela não é divina...
Se falo dela como de um ente É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens Que dá personalidade às cousas, E impõe nome às cousas.
Mas as cousas não têm nome nem personalidade: Existem, e o céu é grande a terra larga, E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...
Bendito seja eu por tudo quanto sei. Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.