Versos Portuguese Alexandre Herculano XVII (Calou tudo no templo: o…)

Portuguese poem

XVII (Calou tudo no templo: o…)

by (1810–1877)

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Calou tudo no templo: o ceu é puro: A tempestade ameaçadora dorme. No espaço immenso os astros scintillantes O Rei da creação louvam com hymnos, Não ouvidos por nós, nas profundezas Do nosso abysmo. E aos cantos do Universo, Ante milhões de estrellas, que recamam O firmamento, ajunctará seu canto Mesquinho trovador?—Que vale uma harpa Mortal, no meio da harmonia etherea, No concerto da noite? Oh, no silencio, Eu pequenino verme irei sentar-me Aos pés da Cruz, nas trévas do meu nada. Assim se apaga a lampada nocturna Ao despontar do sol o alvor primeiro: Por entre a escuridão deu claridade, Mas do dia ao nascer, que já rutila, As torrentes de luz vertendo ao longe, Da lampada o clarão sumiu-se inutil Nesse fulgido mar, que inunda a terra.

Lisboa—1829.