Portuguese poem
XIII (Chôro piedoso, o chôro consagrado)
by Alexandre Herculano (1810–1877)
Chôro piedoso, o chôro consagrado Ás desditas dos seus. Honra ao propheta! Oh margens do Jordão, paiz tão lindo, Que fostes e não sois, tambem suspiro Doído vos consagro!—Assim fenecem Imperios, reinos, solidões tornados!... Não:—nenhum deste modo: o peregrino Pára em Palmyra e pensa: o braço do homem A sacudiu á terra, o fez dormissem O seu ultimo somno os filhos della— E elle o veio dormir pouco mais longe: Mas se chega a Sion treme, enxergando Seus lacerados restos. Pelas pedras, Aqui e alli dispersas, ainda escripta Parece vêr-se uma inscripção de agouros, Bem como aquella que aterrou um ímpio Quando, no meio de ruidosa festa, Blasphemava dos ceus, e mão ignota O dia extremo lhe apontou de crimes. A maldicção do Eterno está vibrada Sobre Jerusalem!—Quanto é terrivel A vingança de Deus! O Israelita, Sem patria, e sem abrigo, vagabundo, Odio dos homens, neste mundo arrasta Uma existencia mais cruel que a morte, E que vem terminar a morte e inferno. Desgraçada nação!—aquelle solo Onde manava o mel, onde o carvalho, O cedro e a palma o verde, ou claro ou torvo, Tão grato á vista, em bosques misturavam: Onde o lyrio e a cecem nos prados tinham Crescimento espontaneo entre as roseiras, Hoje, campo de lagrymas, só cria Humilde musgo de escalvados cerros.