Portuguese poem
VIII (Mas troa a voz do…)
by Alexandre Herculano (1810–1877)
Mas troa a voz do monge, e no meu seio O coração bateu. Eia, retumbem Pela abobada aguda os sons dos psalmos, Que em dia de afflicção ignoto vate Teceu, banhado em dôr: talvez foi elle O primeiro cantor que em varias cordas, Á sombra das palmeiras da Idumea, Soube entoar melodioso um hymno. Deus inspirava então os trovadores Do seu povo querido, e a Palestina, Rica dos meigos dons da natureza, Tinha o sceptro tambem do enthusiasmo. Virgem o genio ainda, o estro puro Louvava Deus somente, á luz da aurora, E ao esconder-se o sol entre as montanhas De Bethoron:—agora o genio é morto Para o Senhor, e os cantos dissolutos Do lodoso folguedo os ares rompem, Ou sussurram por paços de tyrannos, Assellados de putrida lisonja, Por preço vil, como o cantor que os tece.