Versos Portuguese Alexandre Herculano Segunda Serie — XII (Feliz da terra, os monges…)

Portuguese poem

Segunda Serie — XII (Feliz da terra, os monges…)

by (1810–1877)

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Feliz da terra, os monges não maldigas; Do que em Deus confiou não escarneças!— Folgando segue a trilha, que ha juncado, Para teus pés, de flores a fortuna, E sobre a morta crença, em paz descança. Que mal te faz, que goso vae roubar-te O que ensanguenta os pés nas bravas urzes, E sobre a fria pedra encosta a fronte? Que mal te faz uma oração erguida, Nas solidões, por voz sumida e frouxa, E que, subindo aos céus, só Deus escuta? Oh, não insultes lagryimas alheias, E deixa a fé ao que não tem mais nada!...

E se estes versos te contristam—rasga-os. Teus menestreis te venderão seus hymnos, Nos banquetes opiparos, em quanto O negro pão repartirá comigo, Seu trovador, o pobre anachoreta, Que não te inveja as ditas, como aos bardos Do prazer dissoluto eu não invejo Essas crôas, que ás vezes cingem frontes, Onde, por baixo, se escreveu—Infamia!—

*A Voz.*