Portuguese poem
Olhos sublimes, onde os Anjos cantam salmos
Olhos sublimes, onde os Anjos cantam salmos Longe do resplendor das paixões transitórias: E vós, conchas do Amor de Deus, ouvidos almos, Que nada ouvistes a não ser hinos e glórias:
Lábios em oração, dolentemente calmos, Que repetistes sempre as Sagradas Memórias: Vós, brancas mãos, que já tínheis medido os palmos
Da cova incerta, vós, brancas mãos incorpóreas: Pés doloridos, pés de arminho, acostumados A caminhar por sobre o chão dos cemitérios E de pisar no mundo impuro fatigados:
Lábios pungentes, mãos e pés, olhos e ouvidos, Quietos e frios para sempre entre mistérios, Por toda a eternidade eternamente ungidos!