Versos Portuguese Álvares de Azevedo Anjos do mar

Portuguese poem

Anjos do mar

by (1831–1852)

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As ondas são anjos que dormem no mar, Que tremem, palpitam, banhados de luz... São anjos que dormem, a rir e sonhar E em leito d'escuma revolvem-se nus!

E quando, de noite, vem pálida a lua Seus raios incertos tremer, pratear... E a trança luzente da nuvem flutua... As ondas são anjos que dormem no mar!

Que dormem, que sonham... e o vento dos céus Vem tépido, à noite, nos seios beijar!...

São meigos anjinhos, são filhos de Deus, Que ao fresco se embalam do seio do mar!

E quando nas águas os ventos suspiram, São puros fervores de ventos e mar... São beijos que queimam... e as noites deliram E os pobres anjinhos estão a chorar!

Ai! quando tu sentes dos mares na flor Os ventos e vagas gemer, palpitar... Por que não consentes, num beijo de amor, Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?