Versos Portuguese Álvares de Azevedo Cismar

Portuguese poem

Cismar

by (1831–1852)

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Fala-me, anjo de luz! és glorioso À minha vista na janela à noite Como divino alado mensageiro Ao ebrioso olhar dos frouxos olhos Do homem, que se ajoelha para vê-lo, Quando resvala em preguiçosas nuvens, Ou navega no seio do ar da noite. ROMEU

Por quem essa lágrima orvalha-te os dedos, Como água da chuva cheiroso jasmim? Na cisma que anjinho te conta segredos? Que pálidos medos? Suave morena, Acaso tens pena De mim?

Donzela sombria, na brisa não sentes A dor que um suspiro em meus lábios tremeu? E a noite, que inspira no seio dos entes Os sonhos ardentes, Não diz-te que a voz Que fala-te a sós Sou eu?

Acorda! Não durmas da cisma no véu! Amemos, vivamos, que amor é sonhar! Um beijo, donzela! Não ouves? no céu A brisa gemeu... As vagas murmuraram... As folhas sussurram: Amar!