Versos Portuguese Álvares de Azevedo Desalento

Portuguese poem

Desalento

by (1831–1852)

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Por que havíeis passar tão doces dias? A. F. DE SERPA PIMENTEL

Nem resvalou do sonho deleitoso A reais pesadelos...

Quem nunca te beijou, flor dos amores, Flor do meu coração, E não pediu frescor, febril e insano Da noite à viração!

Ah! feliz quem dormiu no colo ardente Da huri dos amores, Que sôfrego bebeu o orvalho santo Das perfumadas flores...

E pôde vê-la morta ou esquecida Dos longos beijos seus, Sem blasfemar das ilusões mais puras E sem rir-se de Deus!

Mas, nesse doloroso sofrimento Do pobre peito meu, Sentir no coração que à dor da vida A esperança morreu!...

Que me resta, meu Deus? aos meus suspiros Nem geme a viração... E dentro, no deserto do meu peito, Não dorme o coração!