Portuguese poem
Lágrimas da Vida
by Álvares de Azevedo (1831–1852)
On pouvait à vingt ans le clouer dans la bière — Cadavre sans illusions... THÉOPH. GAUTIER
Je me suis assis en blasphémant sur le bord du chemin. Et je me suis dit: — je n'irai pas plus loin. Mais je suis bien jeune encore pour mourir, n'est-ce pas, Jane? GEORGE SAND, Aldo
Nos meus olhos incertos sinto lágrimas... Mas da lágrima em troco eu temo um riso!
O meu peito era um templo — ergui nas aras Tua imagem que a sombra perfumava... Mas ah! emurcheceste as minhas flores! Apagaste a ilusão que o aviventava!
E por te amar, por teu desdém, perdi-me... Tresnoitei-me nas orgias macilento, Brindei blasfemo ao vício e da minh'alma Tentei me suicidar no esquecimento!
Como um corcel abate-se na sombra, A minha crença agoniza e desespera... O peito e lira se estalaram juntos... E morro sem ter tido primavera!
Como o perfume de uma flor aberta Da manhã entre as nuvens se mistura, A minh'alma podia em teus amores Como um anjo de Deus sonhar ventura!
Não peço o teu amor... eu quero apenas A flor que beijas para a ter no seio...
E teus cabelos respirar medroso... E a teus joelhos suspirar d'enleio!
E quando eu durmo... e o coração ainda Procura na ilusão tua lembrança, Anjo da vida passa nos meus sonhos E meus lábios orvalha d'esperança!